Como o substantivo da qual ela deriva é "discreto", muitas pessoas usam a palavra "discreção". No entanto, essa palavra não existe.
Uma pessoa discreta é uma pessoa reservada quanto à forma de falar ou de agir. É também uma pessoa modesta, ou que consegue se distinguir sem se esforçar em se fazer notar.
Muita gente diria que uma pessoa assim é alguém dotado de discreção. Porém, essa palavra, mesmo sendo tão usada, não existe.
A palavra considerada correta para definir o comportamento discreto é discrição.
DISCRIÇÃO é; portanto, o procedimento de quem - ou do que - é discreto. Porém, há quem substitua essa palavra por "descrição", que existe, mas tem um significado muito diferente: o ato de descrever.
DESCREVER é narrar, por meio da fala ou da escrita, um fato qualquer ou fornecer detalhadamente características de uma pessoa, uma cidade ou qualquer outra coisa.
Eis aí, portanto, as diferenças entre "discrição" e "descrição". Quanto à palavra "discreção", não se preocupe: embora seja muito utilizada popularmente porque se refere ao adjetivo "discreto" (feminino: "discreta"), ela não existe. @cafecomletras
POSSO DIZER QUE ELA JÁ HAVIA “ACEITO” MEU CONVITE?
R) Aceito é forma do presente do indicativo: eu aceito. Com os verbos ter e haver, usamos o particípio. E o particípio do verbo aceitar é ACEITADO. Portanto, se ela realmente já havia aceitado seu convite, por que não compareceu? Não seria por que você não havia aceitado o namoro com ela? Antonio Luiz Sacconi – NÃO ERRE MAIS! @cafecomletras
O verbo aceitar é um dos verbos abundantes ou de duplo particípio, pois tem uma forma reduzida ou irregular — aceite e aceito — e uma forma regular em -ado — aceitado.
Como é «de regra, a forma regular emprega-se na constituição dos tempos compostos da voz ativa, isto é, acompanhada dos auxiliares ter ou haver; a irregular usa-se, de preferência, na formação dos tempos da voz passiva, ou seja, acompanhada do auxiliar ser» (Cunha e Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, Lisboa, Sá da Costa, 2001, pp. 441-442), assim como o verbo estar.
Exemplos: «Eu tinha aceitado o emprego.» «O jornal foi aceite/aceito muito bem pelo público.» Nota: Repare-se que os próprios gramáticos não são perentórios na forma como expressam a indicação do uso do particípio irregular aceite/aceito, pois têm o cuidado de utilizar a expressão «de preferência», do que se infere a perspetiva de ocorrência dessa forma noutras situações, sobretudo no discurso oral.
A forma aceite é mais usada em Portugal, enquanto no Brasil é mais corrente o uso do particípio irregular aceito(a) (forma comum à da 1.ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo). @cafecomletras
Apesar de parecer fácil esse é um erro comum de ser visto em conversas pela internet e até mesmo em redações.
Bom é o antônimo de mau, e bem é o antônimo de mal.
Lembrando que antônimo é o oposto.
Se você tiver alguma dúvida na hora de escrever basta formular a frase no sentido oposto.
Se você está com a seguinte dúvida: “Esse lugar cheira mal (ou mau?) ”, basta você formular a frase no antônimo e ver qual combina mais, “Esse lugar cheira bom (ou bem) “, qual dos dois está correto?
“Esse lugar cheira bem”, claro. Portanto, “Esse lugar cheira mal” é o correto. @cafecomletras
Português é uma das línguas mais difíceis do mundo.
Meia, Meia, Meia, Meia ou Meia?
Na recepção do salão de convenções, Fortaleza:
- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição no Congresso.
- Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
- Sou de Maputo, Moçambique.
- Da África, né?
- Sim, sim, da África.
- Pronto, tem palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
- Meia oito.
- Podes escrever?
- Sessenta e oito, assim, veja: 68.
- Entendi, meia é seis.
- Isso mesmo, meia é seis. Mas, não vá embora, só mais uma informação: A organização cobra uma pequena taxa se quiser ficar com o material. Quer encomendar?
- Quanto pago?
- Dez reais. Mas, estrangeiros e estudantes pagam meia.
- Hmmm! que bom. Aqui está: seis reais.
- Não, não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
- Pago meia? Cinco? Meia é cinco?
- Isso, meia é cinco.
- Tá bom, meia é cinco.
- Não se atrase, a palestra é às 9 e meia.
- Então, já começou há quinze minutos. São nove e vinte.
- Não, não, ainda faltam dez minutos. Só começa às 9 e meia.
- Pensei que fosse às 9:05, pois meia não é cinco? Pode escrever a hora que começa?
- 9 e meia, assim, veja: 9:30
- Entendi, meia é trinta.
- Isso, 9:30... Mais uma coisa, aqui o folder de um hotel com preço especial para congressista... Já está hospedado?
- Sim, na casa de amigos.
- Em que bairro?
- No Trinta Bocas.
- Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
- Isso mesmo, no bairro Meia Boca.
- O bairro não é meia boca, é um bairro nobre.
- Então deve ser cinco bocas.
- Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim por causa do encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
- Acabou?
- Não, senhor... é proibido entrar de sandálias. Coloque uma meia e um sapato...
Dica do dia: A escolha do pronome demonstrativo não deve ser aleatória. Pense na posição do objeto em relação à sua localização e a do seu interlocutor.
Quanto mais próximo de você: este/esta/isto. Quanto mais próximo do seu interlocutor: esse/essa/isso. Se o objeto estiver afastado de você e do seu interlocutor: aquele/aquela/aquilo. @cafecomletras