Depende. Se ele está escrevendo “para Jorge Amado”, não há o acento da crase: “Ele escreve a Jorge Amado.” (=para Jorge Amado)
Se ele escreve “à moda”, “ao estilo” de Jorge Amado, o uso do acento grave é obrigatório: “Ele escreve à Jorge Amado.” (=ao estilo de Jorge Amado)
Usaremos o acento grave sempre que houver uma destas locuções subentendidas: “à moda de”, “à maneira de” ou “ao estilo de”: “Sapato à Luís XV.”; “Poesia à Manuel Bandeira.”; “Revolução à 1930.”; “Vestir-se à 1800.”; “Filé à francesa.”; “Bife à milanesa.”
Em “Moramos em São Paulo de 1958 a 1960”, não há crase porque não há artigo definido antes de 1960. Em “Elas se vestem à 1960”, há acento grave porque subentendemos “à moda de 1960”.
Se os nossos cardápios fossem bem escritos, em português é claro, teríamos um “festival de crase”: “Viradinho à paulista.” (=à moda de São Paulo); “Tutu à mineira.” (=à moda de Minas); “Camarão à baiana.” (=à moda da Bahia); “Churrasco à gaúcha.” (=à moda gaúcha).
Observe que neste caso o acento grave deve ser usado mesmo antes de palavras masculinas: “Churrasco à Osvaldo Aranha.” (=à moda de Osvaldo Aranha) @cafecomletras
Com o prefixo AUTO, só há hífen quando a palavra seguinte começa por “h” ou por “vogal igual”: auto-hipnose, auto-observação. Nos demais casos, sempre escrevemos “tudo junto”, ou seja, sem hífen: autoanálise, autocontrole, automedicação, autoatendimento, autorretrato, autossustentável, autoescola, autoestrada… As palavras compostas com o adjetivo ALTO (alto-relevo, altos-fornos, altas-horas, alta-sociedade) e com o advérbio ALTO (alto-falante) devem ser escritas sempre com hífen. @cafecomletras
Onde indica lugar em que algo ou alguém está e deve ser utilizado somente para substituir vocábulo que expressa a ideia de lugar. Exemplo: Onde coloquei minhas chaves? Aonde também indica lugar em que algo ou alguém está, porém quando o verbo que se relacionar com “onde” exigir a preposição “a”, deve-se agregar esta preposição, formando assim o vocábulo “aonde”. Expressa a ideia de destino, movimento. Exemplo: Aonde você irá depois do trabalho? @cafecomletras
“Ela mesmo fez” A forma correta é ela mesma fez. Embora com alguns sentidos a palavra mesmo seja invariável, no caso em questão aceita flexão em gênero e número, concordando com o sujeito gramatical. Isso acontece porque a palavra mesmo atua como um adjetivo, reforçando que se trata da pessoa referida através do pronome. • Ela mesma solucionou o problema. • Ela mesma veio a sua procura. @cafecomletras
“Fazem dois anos” A forma correta é faz dois anos. Quando usado para indicar tempo decorrido, o verbo fazer atua como um verbo impessoal, sem sujeito, sendo conjugado apenas na 3.ª pessoa do singular: faz três horas, faz cinco dias, faz duas semanas, faz dez meses, faz quatro anos,… • Faz dois anos que vim morar para Belém. • Já faz dois anos que eu te encontrei no shopping. @cafecomletras
“Daqui há pouco” A forma correta é daqui a pouco. A expressão daqui a indica algo que ainda não aconteceu, mas que começa agora, a partir deste momento e terá seguimento no futuro: daqui a pouco, daqui a nada, daqui a um ano, daqui a um mês, daqui a cinco dias,… • Ele chegará daqui a pouco. • Rápido, daqui a pouco já saio de casa! A forma verbal há, do verbo haver, é usada para indicar tempo decorrido, algo que aconteceu no passado. @cafecomletras
“Há dez anos atrás” A forma mais correta é há dez anos. Embora frequentemente usada, inclusivamente por escritores renomados, esta expressão é considerada redundante. O advérbio atrás é desnecessário para indicar o passado, dado o verbo haver, conjugado como verbo impessoal, já indicar tempo decorrido. • Há dez anos nasceu meu filho mais velho. • Esta história aconteceu há dez anos. @cafecomletras
“Sentar na mesa” A forma correta é sentar à mesa. Embora seja possível sentar na mesa, ou seja, em cima da mesa, essa expressão é erradamente utilizada para indicar o ato de se sentar próximo da mesa, normalmente em cadeiras ou bancos. • Venham sentar à mesa para almoçar. • Meninos, lavem as mãos antes de sentar à mesa. @cafecomletras
“Nada demais” A forma correta é nada de mais. Essa expressão indica que nada fora do normal aconteceu, ou seja, que nada foi feito acima do que é considerado normal e habitual. • A apresentação da estagiária não foi nada de mais. • Ele não fez nada de mais, mas todos ficaram chateados. @cafecomletras
“Afim de” A forma correta é a fim de. Esta locução prepositiva é popularmente utilizada para indicar vontade e interesse em alguém ou alguma coisa. Pode ser usada também para indicar uma intenção ou finalidade. • Obrigada, mas não estou a fim de ir à praia. • Você sabia que o Danilo está a fim de você? • Você está dizendo isso a fim de me dissuadir. A palavra afim também existe, atuando como adjetivo ou substantivo. Indica algo que é semelhante e tem afinidade, não devendo ser seguido da preposição de. @cafecomletras
“Meia cansada” A forma correta é meio cansada. Nesta expressão, a palavra meio atua como um advérbio, sinônimo de um tanto, um pouco, não completamente. Sendo um advérbio, é invariável em gênero e número, mantendo-se sempre igual independentemente de se referir a uma palavra no feminino ou no plural. • Estou meio cansada da caminhada de ontem. • Estou meio cansada da rotina do dia a dia. @cafecomletras
“De vez enquando” A forma correta é de vez em quando. Esta locução adverbial de tempo indica que alguma coisa não ocorre com muita frequência, apenas ocasionalmente, de tempo em tempos. • De vez em quando eu ainda penso nela. • Isso acontece apenas de vez em quando. “Concerteza” A forma correta e COM CERTEZA. @cafecomletras
A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são grafados, do tipo de palavras que formam o composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se como os substantivos simples: aguardente e aguardentes girassol e girassóis pontapé e pontapés malmequer e malmequeres
Para pluralizar os substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen, observe as orientações a seguir:
a) Quando as duas palavras forem substantivos, pode-se optar em colocar apenas o primeiro elemento ou ambos no plural: palavra-chave = palavras-chave ou palavras-chaves couve-flor = couves-flor ou couves-flores bomba-relógio = bombas-relógio ou bombas-relógios peixe-espada = peixes-espada ou peixes-espadas
b) Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
c) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando formados de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-falantes palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
d) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando formados de:
substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-colônia e águas-de-colônia substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor e cavalos-vapor
e) Permanecem invariáveis (não mudam), quando formados de:
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas
f) Casos Especiais o louva-a-deus e os louva-a-deus o bem-te-vi e os bem-te-vis o bem-me-quer e os bem-me-queres o joão-ninguém e os joões-ninguém. @cafecomletras